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22 de ago. de 2015

De Cunha a cunhão




Triste Bahia
Triste baião 
Um monte de gente boa 
Tem um bandido de estimação


4 de jul. de 2015

A minha história alheia




Procurei um lugar no mundo onde eu pudesse me reconhecer como pleno de instantes memoráveis. Todavia descobri que minha vida é a minha memória deserta, vazia, impotente. Não por uma ausência de felicidade naquilo em que vivo e que vivi, mas por uma absoluta incapacidade de reter qualquer coisa que me permita depois justificar-me. Perdi nesse jogo e agora serei sempre refém da memória alheia. Nasci incapaz de contar a minha própria história. 



15 de jun. de 2015

Notas sobre a pós-velhice




Fiquei olhando aqueles velhos e pensando que talvez nenhum deles soubesse o que vem depois da velhice. Eu também já fui velho há alguns anos e sei-o bem: o que se segue à velhice é mesmo a fase mais misteriosa da vida. É nela em que me encontro e nela ficaria para sempre se não fosse a providencial necessidade de acabar com tudo. A propósito, a ideia de uma eternidade negativa -- de um "para sempre" que é nada -- é somente inteligível na pós-velhice, chamemos assim. Ah, vocês não sabem como são as horas nesta fase da vida! Agora as horas já não marcam um intervalo no tempo. Agora elas são já a própria eternidade tediosa, ociosa, murcha: a eternidade positiva, que faz compreender e às vezes ansiar pelo seu oposto. Se vocês aos menos vissem como as horas param na pós-velhice. Se vocês notassem como o relógio nos prepara para o porvir. Mas não há sensibilidade para tanto noutra idade. Não por acaso ouço aqueles velhos chamando de "despeitadas" as horas. Um dia, talvez, lhes será dada a oportunidade de sentir o tempo parando, tornando-os eternos aos poucos. Então talvez eles sejam gratos ao presente ou, ao contrário, nostálgicos do tempo em que as horas corriam. Mas talvez eles ainda sejam velhos ou novos ou nunca serão propriamente pós-anciãos. Neste caso, serão como tanta gente que nunca aprendeu a ser temporalmente eterna. Olhem aqueles velhos...


5 de jun. de 2015

Os lugares de Nietzsche



Recomendo com um entusiasmo imenso o excelente, o sensacional, o antológico artigo de Paulo César de Souza: "Os lugares de Nietzsche", Folha de São Paulo, 06/08/2000: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0608200003.htm 

2 de jun. de 2015

Deusa, Gaudí e Barcelona


Um avião inapreensível que rasga o céu, uma gaivota que dança, uma lua cheia que desponta e um relógio que lembra a efemeridade de tudo. 

28 de mar. de 2015

Enquanto Cunha exerce seus podres poderes...



Esta semana ainda quero postar algo que escrevi sob o título "religião e acolhimento". A ideia central é dizer que não levo a sério o religioso que pretende fazer com que o estado adote a sua fé particular (o que considero, nos termos atuais, uma extorsão), assim como não respeito nenhum cristão que não tenha bastante amor por aquilo que ele -- na sua viagem íntima e privada chamada "religião" -- acredite ser uma interdição ou "pecado". 

3 de fev. de 2015

Pais e filhos



Bobagem essa coisa de não ter filhos. Radical mesmo é escolher não ter pais.