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22 de ago. de 2015

De Cunha a cunhão




Triste Bahia
Triste baião 
Um monte de gente boa 
Tem um bandido de estimação


16 de ago. de 2013

Poema



Erro bom é
Erro novo.
E o melhor de todos
Alimenta-se, aquecido,
Iminente, perigoso,
No interior do ovo.



4 de jul. de 2013

O bom niilismo




Antes aforismo; agora poema. 


A razão
niilista
é
consumista


25 de jun. de 2013

Ex-PEC



Vamos
Expectorar
A PEC
37


11 de jun. de 2013

Um poema do poeta português: António Gil





Agradeço ao excelente poeta português António Gil por ter-me enviado e autorizado a publicação desse extraordinário poema, que é inédito, aqui no blog. Estou honrado! 
     


Erosão e tempestades
dotaram por meios lícitos
o meu sol de cavidades
meu coração de solstícios

Por sede ou fome de luz
na boca da vastidão
onde o sol se pôs, eu pus
por troca, meu coração

Assim posto vou, de porto
em porta, ao vento afeito
coração fora do corpo
com o sol dentro do peito



GIL, ANTÓNIO. "O céu na Boca" (a publicar).

20 de mai. de 2013

Olavo Bilac: "Inania Verba"




                                 Inania Verba


Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
-- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que se deslumbrava...

O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!



Bilac, Olavo. "O caçador de esmeraldas e outros poemas". Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.   

15 de mai. de 2013

Iosif Landau: "Inseto"




Esta semana eu recebi, de Elena Landau, o último livro de poemas de seu pai: "Alarme". O livro é surpreendente! Iosif Landau começou a escrever aos 70 anos, mas a sua poesia tem um vigor, uma virilidade, um erotismo, um ritmo e uma intensidade juvenis. O poema que deixo agora apresenta, ainda, uma outra qualidade dessa obra: o humor.



Inseto


tá tudo em ordem:
não há herança nem dinheiro nem poupança.

testamento é folha em branco,
não há bens nem castelos na França.

tô bem de corpo e cabeça, não estou demente,
não deixo remédios nem camisa de força pros herdeiros.

apenas eu e minha imagem no espelho
coçamos os pentelhos o dia inteiro.

livros e discos e roupas e retratos
esperam pacientes os ratos festejarem.

descanso na tarde sombria sem companhia
quem se importa se ainda enxergo, ouço ou mijo?

amor, carinhos e abraços, do outro lado,
lamento não ter virado sabão no passado.

allons enfants de la Patrie,
le jour de gloire est arrivé

estou indo pro cacete
como todo inseto

nous y trouverons leur poussière



Landau, Iosif. Alarme. Belo Horizonte: Sografe, 2011. 



16 de abr. de 2013

Das coisas do passado que chegam com todos os seus atrasos





Quem
para receber alguém
não tem límpido coração
sempre será mau anfitrião