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15 de mai de 2013

Iosif Landau: "Inseto"




Esta semana eu recebi, de Elena Landau, o último livro de poemas de seu pai: "Alarme". O livro é surpreendente! Iosif Landau começou a escrever aos 70 anos, mas a sua poesia tem um vigor, uma virilidade, um erotismo, um ritmo e uma intensidade juvenis. O poema que deixo agora apresenta, ainda, uma outra qualidade dessa obra: o humor.



Inseto


tá tudo em ordem:
não há herança nem dinheiro nem poupança.

testamento é folha em branco,
não há bens nem castelos na França.

tô bem de corpo e cabeça, não estou demente,
não deixo remédios nem camisa de força pros herdeiros.

apenas eu e minha imagem no espelho
coçamos os pentelhos o dia inteiro.

livros e discos e roupas e retratos
esperam pacientes os ratos festejarem.

descanso na tarde sombria sem companhia
quem se importa se ainda enxergo, ouço ou mijo?

amor, carinhos e abraços, do outro lado,
lamento não ter virado sabão no passado.

allons enfants de la Patrie,
le jour de gloire est arrivé

estou indo pro cacete
como todo inseto

nous y trouverons leur poussière



Landau, Iosif. Alarme. Belo Horizonte: Sografe, 2011. 



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