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21 de out de 2015

Angus Deaton: a pobreza é mais do que a falta de dinheiro




Hoje é meu aniversário. Considerei um presente poder ler estas palavras de Angus Deaton*, presentes nos dois últimos parágrafos de um artigo que o Estadão publicou hoje


[...]

Por fim, escrevi a respeito da desigualdade, e da ameaça que a desigualdade extrema traz para a democracia. A Índia obteve imenso sucesso na construção de uma vida melhor para muitos. Alguns deles agora têm padrões de consumo mais semelhantes aos de americanos e europeus ocidentais, e não foram poucos os que se tornaram fabulosamente ricos. Num mundo ideal, a distância que se abriu entre esses e aqueles deixados para trás poderia ajudar a erguer os outros.

Os pobres podem enxergar as novas oportunidades e compreender que, com ensino e sorte, seus filhos e filhas também poderão prosperar. Mas há também terríveis perigos na desigualdade se aqueles que escaparam da miséria usarem sua riqueza para impedir a ascensão daqueles que ainda se veem aprisionados por ela. Ensino decente, um sistema de saúde eficaz e acessível e saneamento operante são bens que beneficiam a todos, e a nova classe média deveria ficar contente em pagar impostos que ajudam outros a compartilhar da sua sorte. Adam Smith disse que "para quem o paga, cada imposto é um distintivo, não de escravidão, mas de liberdade". E se os impostos forem gastos com sabedoria, a liberdade poderá ser amplamente partilhada.



*Angus Deaton, 69, é escocês, economista, e ganhador do prêmio Nobel de Economia deste ano.


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