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19 de abr de 2013

Chesterton: trecho do excelente "Ortodoxia"






É um bom exercício, em horas vazias e desagradáveis do dia, olhar para qualquer coisa, a caixa para carvão ou a estante de livros, e pensar que alguém poderia sentir-se feliz por ter tirado aquilo de um navio a pique numa ilha solitária. Mas é um exercício ainda melhor lembrar-se de como todas as coisas passaram por esse salvamento por um triz: tudo foi salvo de um naufrágio. Todos os homens passaram por uma horrível aventura: como criança abortada, como um bebê que nunca viu a luz do dia. Na minha infância falava-se muito de limitados ou arruinados gênios: e era muito comum classificar alguém como um "Poderia-Ter-Sido". Para mim há um fato mais concreto e assustador: qualquer transeunte que vai pela rua é um "Poderia-Não-Ter-Sido".







Chesterton, Gilbert K. "Ortodoxia". Traduzido por Almiro Pissetta -- São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 106. 

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